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Artigos Prisão de executivos traz menos prejuízo do que suspender contratos, diz Moro

Prisão de executivos traz menos prejuízo do que suspender contratos, diz Moro

Ao aceitar duas novas denúncias ligadas à já famosa operação “lava jato”, o juiz federal Sergio Fernando Moro justificou por que mantém presos os principais dirigentes de empreiteiras suspeitas de integrar esquema de desvios na Petrobras. Ele afirmou que, para prevenir a continuidade do “ciclo delituoso”, a única alternativa eficaz à prisão preventiva seria suspender os atuais contratos da OAS e da Galvão Engenharia com entidades da Administração Pública direta ou indireta, “mas essa opção, de inopino, teria consequências imprevisíveis para terceiros”.

“Necessário, infelizmente, advertir com o remédio amargo da prisão preventiva as empreiteiras de que essa forma de fazer negócios com a Administração Pública não é mais aceitável — nunca foi —, na expectativa de que abandonem tais práticas criminosas”, escreveu nesta segunda-feira (15/12) ao tornar réus dez executivos e mais três pessoas denunciadas pelo Ministério Público Federal na quinta-feira (11/12).

Estão na lista o presidente da OAS, José Aldemário Pinheiro Filho; o diretor-presidente da Galvão Engenharia, Jean Alberto Luscher Castro; o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa e o doleiro Alberto Youssef, além de diretores e empregados das duas empreiteiras. Pedidos de Habeas Corpus já foram negados no Supremo Tribunal Federal.

O MPF preferiu fazer denúncias fragmentadas por empresas ­—também acusou representantes da Camargo Corrêa, da Mendes Junior e da Engevix, por exemplo. O juiz Sergio Moro (foto), responsável por acompanhar todos os processos sobre o caso na 13ª Vara Federal de Curitiba, avaliou que a iniciativa de separar as acusações por grupo de dirigentes foi “razoável”.

“Apesar da existência de um contexto geral de fatos, a formulação de uma única denúncia, com dezenas de fatos delitivos e acusados, dificultaria a tramitação e julgamento, violando o direito da sociedade e dos acusados à razoável duração do processo.”

Clube de empreiteiras
As decisões desta segunda-feira, com conteúdo semelhante, dizem que não cabe nessa fase examinar profundamente os fatos, e sim verificar se há justa causa para denúncia. Conforme Moro, documentos aprendidos na investigação sugerem a existência de um “clube de empreiteiras” com atuação na Petrobras e já foram comprovados depósitos desse grupo a empresas comandadas por Youssef (foto).

A suspeita é que as irregularidades ocorreram entre 2006 e 2014. O cartel manipulava preços e corrompia membros do alto escalão da estatal para ganhar projetos de grandes obras, como a refinaria Abreu e Lima (em Pernambuco), de acordo com a força-tarefa do MPF. Parte dos valores recebidos era repassada para Costa e um grupo de partidos, segundo a acusação.

Quando as investigações da operação “lava jato” começaram, o foco estava em apurar um suposto esquema de lavagem de dinheiro consumado em Londrina (PR). É por isso que a 13ª Vara Federal de Curitiba passou a receber todos os processos ligados à investigação, mesmo envolvendo suspeitos e obras de outras partes do país. Advogados já questionaram a legitimidade do juiz Sergio Moro, sem sucesso.

Somente em abril a Petrobras entrou no meio da história, depois que a Polícia Federal apontou relações entre o doleiro Alberto Youssef (pivô da operação) e o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa. Desde então, já foram abertas mais de dez Ações Penais diferentes.


Autor: Felipe Luchete

Fonte: CONSULTOR JURIDICO

Matéria Original: http://www.conjur.com.br/2014-dez-16/prisao-executivos-melhor-suspender-contratos-moro

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