ArtigosRacionalidade instrumental e identidade pós-moderna: sujeito crítico versus consumidor
Racionalidade instrumental e identidade pós-moderna: sujeito crítico versus consumidor
Poder de consumo, acesso aos bens do mercado e aperfeiçoamento constante do objeto são ideias comuns ao sujeito contemporâneo. No ocidente, mesmo beirado por fome e miséria, o capitalismo é de tal forma imperativo que o consumo é uma realidade de praticamente todos os estratos sociais. Aliás, sobretudo no Brasil, o mercado vem se interessando pelas chamadas classes C e D, dinamizando a partir das possibilidades aquisitivas dessas populações. Todos, mesmo que mediante incentivos do governo, possui uma mínima condição de comprar.
Essas cruzadas capitalistas têm como foco a inclusão dos indivíduos na categoria de consumidores; noutro aspecto, inclusão no feixe de pessoas que devolve o dinheiro recebido pela venda de sua força de trabalho mediante a compra de utensílios produzidos. Até mesmo a necessidade dessas aquisições é um produto, ou seja, um desejo incutido a partir da sofisticação da publicidade e propaganda.
Ademais, também o sujeito passa a se identificar no mercado, tornando a compra um prazer e o consumo frenético uma compulsão. A necessidade subjetiva de pertencer – criar uma identidade – é proporcionada pelo mercado. O Estado, a sociedade ou qualquer outra forma de coletivização não tem se mostrado tão eficaz quanto o nivelamento proposto pelo mercado. Nasce, daí, a categoria DE consumidores, inclusive com tutela especial dentro do direito.
Por outro lado, os teóricos da Escola de Frankfurt fazem uma severa crítica a esse processo (WIGGERSHAUS, 2002). Adorno, em especial, diz que a razão tornada instrumento e auxiliada pela tecnologia produz passividade, acriticidade, que são condições para a manutenção desse esquema de exploração – Marx –, tudo mediante a fortificação do aspecto ideológico a partir do qual o mercado age.
Na crítica adorniana, não há espaço no mercado – dentro do sistema criado pela razão instrumental - para a criação de uma identidade crítica por meio da categoria de consumidores[1]. Estes, sempre condicionados por sua formação para o capital, são incapazes de fazer a rebelião intelectual e crítica. Certamente refundando a ideia de revolução de Marx, Adorno – e mesmo outros dos críticos – desejam que a mudança seja perpetrada pela orientação emancipatória e pela postura crítica contínua, sem luta de classes.